Tenho uma filha adolescente que começou a descobrir o “mundo” do sexo oposto: fofoquinhas, bilhetinhos, olhares, admirações, conversas demoradas ao telefone e os bate-papos intermináveis no MSN e no Orkut. Todavia, ela não tem idade suficiente para namorar. O que eu faço? A.W.
Muitos pais desejam que seus filhos nunca cresçam, para que vivam sempre no mundo seguro da infância, no qual não há “maldade”. Não é sem razão que o namoro precoce de adolescentes costuma trazer conflitos para a família toda. Os problemas não partem apenas do capricho de alguns pais superprotetores, mas da preocupação dos mais velhos em ver alguém imaturo assumir um relacionamento que exige certa estrutura espiritual, social, emocional e material.
Por ser algo da natureza humana, a descoberta dos filhos pelo sexo oposto deve ser sempre bem-vinda em casa. Quando bem orientado pelos pais e administrado pelos jovens, a vontade de namorar é uma bênção. Problema maior é quando o adolescente tem atração por pessoas do mesmo sexo. Entretanto, pensemos um pouquinho sobre as sérias implicações que um relacionamento precoce pode trazer para o convívio familiar:
1) Vai atrapalhar os estudos. Na adolescência, normalmente, os namoros são “paixonites” acompanhadas de queda no rendimento escolar, rebeldia e, às vezes, até agressividade contra os pais ou responsáveis. Comportamento como esse é lastimável e digno de repreensão.
Eu sempre digo para os meus dois filhos que o mundo é de quem estuda e muito. Ellen White também alerta a respeito do impacto de relacionamentos prematuros sobre a vida escolar: “Sob a força vil da condescendência com o sensual, ou o precoce envolvimento com namoro e casamento, muitos alunos deixam de atingir a altura do desenvolvimento mental que de outro modo alcançariam” (Conselhos Sobre Educação, p. 61).
O diálogo amoroso, franco, aberto e firme costuma resolver a situação, porque torna claro para os filhos o quanto são amados pelos pais. Em caso de perguntas sobre namoro, sexo, pornografia e temas afins, não deve haver omissão, mas respostas claras baseadas na Bíblia.
Penso que atribuir tarefas domésticas e responsabilidades graduais aos filhos contribui para que tenham uma visão menos romântica e infantil da vida, ajudando os adolescentes a ver o namoro de forma mais madura. Além disso, é imprescindível que os pais intercedam, em oração, pelo sucesso dos adolescentes, nessa fase marcada pelas escolhas.
2) Pode acontecer uma gravidez inesperada e indesejada. As estatísticas mostram que quanto mais cedo se começa a namorar ou “ficar”, maior é a possibilidade de acontecer um deslize moral ou uma gravidez não planejada. O sexo precoce é visto como aceitável em filmes, novelas e seriados, no entanto, não pode ser considerado normal pelo jovem cristão, porque tal comportamento não é aprovado por Deus (Êxodo 20:14).
A Bíblia já dizia que no campo das emoções não deveríamos adiantar as coisas: “...que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira” (Cantares 3:5). O namoro deve servir para o conhecimento mútuo e amizade entre dois jovens que priorizam a Deus como a fonte do amor. Se os adolescentes não querem apenas “ficar”, demonstrando intenções mais sérias, acredito que o namoro é aceitável, desde que tenha a permissão dos pais.
3) Perda de interesse pela vida espiritual. Geralmente os conflitos sentimentais e sexuais dos adolescentes são fruto da falta de comunhão com Deus. Por isso, a espiritualidade deve ser estimulada através da força de grupos como clubes de desbravadores, corais e pequenos grupos. No entanto, o grupo que tem maior influência religiosa sobre os filhos é a própria família. Por isso, os pais não podem abrir mão do culto familiar, porque as atividades espirituais em conjunto fortalecem os relacionamentos em casa, suprindo, em parte, a carência afetiva dos filhos. Para os especialistas, pequenos gestos, como abraçar e beijar os filhos, funcionam como “vacina” contra a precocidade amorosa. Acima de tudo, os adolescentes precisam de amor regido por princípios, o amor que não é libertino e nem cego (Apocalipse 3:19).
Otimar Gonçalves
Líder de Jovens da Divisão Sul-Americana
[Revista Conex. Out - Dez, 2009, p.28]
Fonte: Educação Adventista
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